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Especialista na formação de gerentes e líderes do retalho, explica como preparar a sua equipa para o pós-quarentena

Especialista na formação de gerentes e líderes do retalho, explica como preparar a sua equipa para o pós-quarentena

Manter o funcionário motivado após o regresso das férias já costuma ser um desafio para as empresas, então imagine colocar a equipa de regresso à normalidade depois da vida voltar ao que costumamos chamar de normal.

Embora o cenário seja ainda de poucas previsões e muitas incertezas, o fim do estado de emergência em Portugal traz novas questões para o mercado. Entre eles está a forma como as empresas deverão tratar a retorno progressivo ao ambiente de trabalho.

Para clarear as ideias em relação a este assunto, o partner da GS&IMR, André Almeida, respondeu a algumas dúvidas comuns neste período e demonstrou algumas alternativas para que os profissionais estejam preparados para o retorno à empresa no período pós-pandemia.

André Almeida é gestor de formação e consultor empresarial. Iniciou a sua carreira em 1998 como vendedor e passou pela gestão de diferentes lojas no Brasil. Desde 2005 que trabalha com consultoria e palestras nas quais partilha as suas experiências no retalho. Atualmente vive em Portugal e desempenha funções à frente da GS&IMR, uma empresa de formação profissional em diversas áreas, formada pela parceria entre a empresa portuguesa IMR – Instituto de Marketing Research e o grupo brasileiro GS& Gouvêa de Souza. Confira!

Da experiência que tem na sua atividade profissional, acredita que os comportamentos dos consumidores vão mudar após a pandemia?

Sim. Em vários aspetos, níveis e setores vão mudar em curtíssimo prazo mas sem garantias de permanência a médio e longo prazo. Primeiro temos a procura reprimida, pois ficámos muito tempo em confinamento e sentimos a falta de “viver”. Agora que voltamos a ter a permissão de retorno às ruas, a tendência é aumentar o nível de consumo dos serviços e a compra dos produtos.

Também, como consequência do confinamento, adotámos novos ou resgatamos antigos hábitos, que trouxeram um certo nível de prazer em ficar em casa. Logo, a curto prazo, podemos ainda manter, devido ao facto de ainda não estarmos certos das consequências do retorno às atividades externas, alguns desses hábitos que estávamos a fazer a partir de casa.

Acredito que teremos mudanças também na forma de compra. Os serviços de entrega em casa podem cair a curto prazo, quando as pessoas poderem sair totalmente de casa, mas creio que estabilizará a nível muito superior ao padrão anterior à pandemia. Já na escolha dos produtos e serviços, acredito que o serviço de experiência coletiva deverá destacar-se mais, enquanto que nos produtos não deverá haver significativas alterações. Penso que as escolhas dos consumidores devem permanecer e que vou continuar a comprar o que sempre compraram.

No entanto, é provável que haja uma sensível diminuição na quantidade de itens comprados, pois não teremos nada que nos impeça de sair para comprá-los e não haverá faltas de stock. Portanto, a compra volta a ser mais consciente, mas não creio que as pessoas abrirão mão da qualidade daquilo que vão comprar.

Enquanto formador, que soluções apresenta para ajudar os profissionais nesta nova fase que requer uma reaprendizagem na vida pessoal e profissional?

Esta questão não se altera muito no decorrer do tempo, mas devido ao momento vou basear-me em dois pontos de partida: um é se a pessoa quer tornar-se num melhor profissional no cargo atual e o outro é se a pessoa quer alçar um novo cargo, empresa ou até mesmo uma nova profissão.

Para se tornar melhor no cargo atual, o ideal é melhorar as suas habilidades de comunicação para entender melhor e em menos tempo as necessidades dos clientes internos e externos, que utilizarão máscara e estarão à distância. Acredito que seja a melhor altura para melhorar as suas habilidades de escrita, leitura corporal e verbal.

Para mudar de cargo, empresa ou profissão, o ideal é saber que requisitos técnicos e comportamentais são necessários para ter sucesso no objetivo desejado. Depois, encontre canais de aprendizagem para ajudar a melhorar nestes requisitos. Por fim, verifique se a mudança exige uma formação com certificação ou até mesmo um investimento de dinheiro e tempo como um curso numa universidade.

Como se deve comportar um líder nesta situação?

Quando o ambiente externo é incerto e instável, cabe aos líderes criarem um clima de estabilidade com objetivos claros para as suas equipas tenham paz emocional e assim consigam focar os seus esforços no trabalho diário em direção ao alcance desse objetivo.

Cabe ao líder sugerir e ouvir as inovações disruptivas propostas pelas equipas para aproveitar as oportunidades vindas do ambiente externo, conceber possibilidades para que todos aprendam e tenham mais habilidades, além de calcular as reais capacidades produtivas em termos de equipamentos e investimento para o surgimento de novos produtos e serviços.

Por fim, uma dica mais prática é produzir um novo capítulo no manual da empresa acerca de como reagiram à crise, para servir de inspiração em possíveis ocorrências futuras e terem um histórico.

É importante apostar na formação dos profissionais nesta fase?

Sem dúvida que sim. O desafio está em desenvolver os temas que são transversais a todos da empresa, os que são específicos para cada cargo, adequando aos formatos de formação e os seus canais de acesso. Esta adequação diz respeito à combinação, por exemplo: se é uma formação em comunicação, podem ter atividades como filmagens para a oferta de produtos realizadas através de um telemóvel. Assim o formador poderá perceber e orientar o estudante nesta nova forma de como “atender” os clientes.

O que esperar do futuro? Acha que a aposta na digitalização vai ter um papel fundamental no retalho?

Sim, mas com ressalvas. A digitalização na formação (e-learning), na forma de atender (self checkout) e na forma de pagar (sem contacto) são exemplos, em conjunto ou isolados, aplicados às empresas atualmente e que provavelmente serão tendência no conceito do mundo phygital. No entanto, o reforço da necessidade de adequação do sistema, “necessidade versus formatos versus canais versus quantidade versus investimento versus retorno do investimento”, na interação digital entre a empresa e a sua equipa e da sua equipa e os clientes, é deveras importante, pois ainda existem relações comerciais em que o sorriso no rosto e uma genuína apresentação profissional frente a frente com clientes, é a essência do sucesso.

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